domingo, 8 de fevereiro de 2009

É Tudo O Que Me És

É Tudo O Que Me És


É tudo o que me és.
Meras palavras não servem para o descrever.
Sabes bem a importância que tens,
Vale bem mais que três vinténs,
E é aquilo que me vale.
Não sinto necessário dizer,
Secalhar até o esteja a redizer.
Tudo o que se soma são momentos,
Nada mais que momentos,
Um aperto enorme de sentimentos que se acumulam.
É amor, direi eu.
Contigo aprendi a ser diferente.
Aprendi com tudo o que há em ti, as tuas feições, os teus maneirismos.
Enfeitiçaste-me com malabarismos,
Dos quais adoro relembrar.
És assim, sou assim, somos assim.
Porque apesar de tudo,
Eu, já não sou eu,
Sou tu,
Somos um só.

Amo-te.

Escrito por: Ricardo Barbosa

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Parece-te (me) um tornado

Parece-te (me) um tornado


Parece-te um tornado.
Um jubilar de ideias e de pensamentos,
Célere redemoinho de preconceitos que fervilha em ti.
Parece-te um tornado.
Um autêntico turbilhão de afirmações falseadas,
E deveras desacreditadas,
por alguém que por si só se torna impreciso.
Parece-te um tornado.
Acreditar em tudo o que dizes,
Mesmo sabendo que essas bárbaras e atrozes palavras,
Vão tornar-se num sorvedouro para quem efectivamente as sente.
Parece-te um tornado.
Mesmo assim não cedes,
Mesmo assim deitas tudo a perder apenas por um momento,
Aprenderás um dia a função do tornado?
Permitir que tudo entre, mas que nada de si saia.
Parece-me agora, um tornado.

Escrito por: Ricardo Barbosa

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pseudo-Sentimentos

Pseudo-Sentimentos


Hoje sinto-te longe, o teu toque está distante.
Ontem estavas longe, e o teu toque estava por deveras distante.
Amanhã? Será sempre longe de mais?
Talvez não, talvez seja altura de mudar.
Altura de tomar atitude, altura de ser verdadeiro.
Despir toda a falsidade e enfrentar a cruel realidade.
Amanhã estarás ainda mais distante, tornar-te-ás um caso perdido.
Achas mesmo que mereces?
Achas mesmo que eu mereço?
Certamente, eu pensarei que sim.
Estupidamente, tu pensarás que não.
Quer queiras quer não,
Vou-te dar a provar o travo amargo da solidão.

Escrito por: Ricardo Barbosa

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Será que?

Será que?


Será que já olhaste atentamente para o lado?
Não te quero todavia perguntar,
Que se alguém por ti me questionar,
Eu terei a resposta certa para dar.
Deixando isso de parte: já reflectiste sobre aquilo que viste?
Ou será que olhaste simplesmente,
Lançando um desdém, certamente
Típico de alguém, muito embora subjectivamente, egocêntrico.
Não, não penses que te estou a atacar,
Por elevares ao infinito a palavra ignorar,
Transformando livres almas em objectos com os quais gostas de brincar.
Será que tudo isto te pertence,
Ou será, possivelmente, fruto do trabalho ininterrupto da minha fértil mente.
Responder-te não sei, certamente.
Porquê?
Será que...

Escrito por: Ricardo Barbosa

domingo, 13 de abril de 2008

Eu vou

Eu vou


Eu vou.
Fazer tudo por tudo.
Dar o melhor, dar o pior.
Vender qualquer pedaço de melancolia.
Comprar restos de emoção.
Procurar desenfreadamente a saída.
Encontrá-la-ei?
Será sempre uma questão,
de difícil resolução.
E à qual nunca responderei.
Eu vou.
E tu?

Escrito por: Ricardo Barbosa

Cântico Negro

Cântico Negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

Escrito por: José Régio

sábado, 12 de abril de 2008

Desequilíbrio

Desequilíbrio


Desequilibrei-me.
Prova lógica da minha fraqueza.
Racionalmente cristalino como o mais puro pensamento.
Desequilibrei-me.
Tudo parece tão rígido, tudo parece tão mole.
Será essa antagónica realidade uma mera quimera ou memórias saudosas de outrora?
Desconheço, certamente.
Só posso afirmar,
que a única coisa que hoje sei,
é que me desequilibrei.

Escrito por: Ricardo Barbosa